Cerveja:
Cores, aromas, sabores e inspirações.


O grande diferencial das cervejas especiais e artesanais é a riqueza de sensações. A diversidade de Cores, Aromas e Sabores dos mais de 100 estilos diferentes de cerveja nos leva a uma extraordinária viagem pelas nossas lembranças, despertando novos sentimentos e reacendendo velhas emoções.

No momento em que abrimos uma garrafa desse líquido sagrado e o servimos na taça, somos arrancados do corpo e abruptamente lançados em um mundo sensorial inimaginável. O estímulo aos nossos sentidos vai nos guiando e fazendo com que um passeio por toda a nossa história de vida se inicie. A cerveja traz engarrafada consigo um universo imensurável de inspirações.

Sua coloração pode variar desde o amarelo claro do nosso primeiro cueiro até um escuro negro da graxa que o nosso avô usava para abrilhantar seus sapatos. Seu aroma é de uma diversidade tão grande que navega do cheirinho do café que nossa mãe passava nas primeiras horas do dia até o perfume das flores que brotavam no jardim da vizinha no comecinho do mês de março. Os sabores que ela carrega é igualmente diversificado, pode nos remeter àquele chocolate que ganhávamos na páscoa ou ao azedo do suco que era servido na lanchonete da escola.

Essa viagem íntima pelos nossos sentimentos, proporcionada pela cerveja, vem inspirando, ao longo dos séculos, artistas das mais variadas áreas culturais. Amores, paixões, tristezas, alegrias, brigas, desilusões, frustrações, saudades... Quando se abre uma garrafa com água, malte, lúpulo e leveduras tem início uma aventura sem destino preestabelecido. Nunca se sabe as lembranças que serão despertadas, nem os sentimentos que virão à tona.

Há registros dessa influência desde os antigos egípcios até representantes da mais contemporânea das artes modernas. Pintores, poetas, músicos, instrumentistas, são inspirados pelos momentos de prazer que a cerveja proporciona aos seus admiradores. Grandes ícones da cultura nacional e internacional, de Rembrandt, passando por Picasso e Drummond, a Zeca Pagodinho, bradaram, através de sua arte, o amor pelo pão líquido. Como escreveu Shakespeare, em 1611, na tragicomédia teatral Um Conto de Inverno: Um pouco de cerveja é um prato para um rei.

A cada dia que passa mais pessoas são catequizadas no universo cervejeiro e artistas, por enquanto anônimos, são arrebatados por sensações inexplicáveis de prazer proporcionados por essa bebida. Momentos simbióticos de degustação da cerveja e manifestações culturais estão cada vez mais comuns. “O que me importa o passar das horas? Hoje estou bebendo cerveja”, disse o poeta Edgar Allan Poe na obra Linhas sobre a Cerveja.

Por: Wagner Lucena
Sommelier de Cervejas.

ACADEMIA BARBANTE DE CERVEJA


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