O que a literatura de cordel tem a ver com cerveja?


Tudo, eu lhe responderia. Por mais incrível que pareça! Você consegue medir o tanto de cultura que um simples barbante pode aguentar? Pois bem caro leitor, prepare-se para se surpreender!

A literatura de cordel assim como a cerveja, tem suas origens marcadas por cordões de algodão. Procurando sobre a história da cerveja no Brasil, não será difícil encontrar a relação da cerveja com este fio de algodão. Ele era utilizado para designar produtos de baixa qualidade, uma vez que as rolhas das garrafas de cervejas artesanais eram presas por fios de barbante e as cervejas das grandes indústrias, já utilizavam as tampinhas metálicas para conter o CO2.
Já a literatura de cordel, leva este nome pela tradição de pendurar folhetos repletos de poesia nordestina em barbantes. Barbantes estes que gritavam para o mundo a cultura, os costumes e os regionalismos de um povo simples e trabalhador em uma métrica perfeita e harmônica. Não preciso falar que a cerveja tem esta mesma função social. Dentro de uma garrafa de cerveja também encontramos poesia (por meio de seus sabores, aromas e texturas), história, cultura e não podemos deixar de citar o terroir particular de cada região produtora que imprime personalidade e valoriza cada produto.

Ambos, a cerveja e o cordel, por serem tão populares, tem uma história de perda e retomada de valor. O que vivemos hoje é uma quebra constante dos estigmas impressos no passado. O cordel sendo reconhecido como literatura que contribui com a produção poética e a cerveja ocupando lugares onde a muito tempo não frequentava, como mesas de toalhas brancas, sessões de harmonização com carnes nobres e queijos, assim como o tão cultuado vinho.

Mas se esta resposta ainda não foi convincente para você, precioso leitor, te convido a participar de uma roda de viola com cantoria de poesias de cordel, em volta de uma fogueira, harmonizando com um belo exemplar de uma Stout Mel de Engenho da Cervejaria Duvália - uma cerveja negra como a noite e que entrega o aroma dos maltes torrados, sabor de café e um leve chocolate amargo acrescido de terroir pernambucano.

Por: Patrícia Sanches

ACADEMIA BARBANTE DE CERVEJA